MEI para ME: O Passo a Passo da Transição
Um guia prático para quem está crescendo e precisa sair do MEI
Muitos empreendedores começam sua jornada no Microempreendedor Individual (MEI), mas à medida que o negócio cresce, surge a necessidade de migrar para Microempresa (ME) ou até mesmo Empresa de Pequeno Porte (EPP). Essa transição pode parecer complexa, mas, com planejamento, ela se torna um passo estratégico para o crescimento.
Neste artigo, vamos mostrar: quando e por que mudar, os custos envolvidos, as novas obrigações, as vantagens e o impacto tributário dessa decisão.
1. Quando é hora de deixar de ser MEI?
O MEI é um regime simplificado, com limite de faturamento e restrições. A transição acontece quando:
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O faturamento ultrapassa R$ 81.000 por ano (média de R$ 6.750/mês).
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A atividade exercida não é permitida no MEI.
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Há necessidade de contratar mais de um funcionário.
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O negócio exige sócios para expansão.
Nesses casos, a formalização como ME ou EPP é o caminho natural.
2. Custos da transição de MEI para ME
Migrar para ME envolve novos custos, como:
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Taxas de registro na Junta Comercial (para alteração do CNPJ).
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Honorários contábeis (um contador passa a ser obrigatório).
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Contribuições fiscais de acordo com o novo regime tributário (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real).
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Taxas municipais e estaduais (como alvará de funcionamento e inscrição estadual, se aplicável).
3. Quais são as obrigações da ME?
Ao se tornar ME, o empreendedor terá que cumprir mais exigências:
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Contratar um contador habilitado (para cuidar das obrigações contábeis e fiscais).
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Emitir notas fiscais obrigatoriamente para pessoas jurídicas.
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Entregar declarações periódicas, como DEFIS, DCTFWeb e EFD-Reinf (dependendo do regime).
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Manter escrituração contábil regular.
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Cumprir normas trabalhistas, se tiver funcionários.
4. Vantagens de ser ME
Apesar do aumento das obrigações, há benefícios importantes:
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Maior limite de faturamento: até R$ 360 mil/ano para ME e até R$ 4,8 milhões/ano para EPP.
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Possibilidade de crescimento estruturado com sócios e equipe.
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Acesso a linhas de crédito maiores junto a bancos.
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Mais credibilidade no mercado perante clientes e fornecedores.
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Participação em licitações públicas.
5. Impacto Tributário: MEI x ME
No MEI, o pagamento de impostos é fixo e baixo, variando de R$ 70 a R$ 90 mensais. Já na ME/EPP:
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O imposto passa a ser calculado sobre o faturamento, por meio do Simples Nacional ou outros regimes.
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A carga tributária depende da atividade e do anexo tributário, variando de 4% a mais de 15% do faturamento.
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Empresas com folha de pagamento elevada podem se beneficiar do Fator R, que reduz a alíquota em alguns casos.
Ou seja: os impostos aumentam, mas a formalização abre espaço para expandir os negócios.
6. Passo a Passo da Transição
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Converse com um contador: avalie se já é hora de migrar e qual regime tributário é mais vantajoso.
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Solicite o desenquadramento do MEI no Portal do Simples Nacional.
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Altere o registro do CNPJ na Junta Comercial e, se necessário, faça adequações no contrato social.
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Atualize a inscrição estadual e municipal.
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Emita novos documentos fiscais adequados à ME.
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Organize a contabilidade mensal com relatórios e declarações obrigatórias.
Conclusão
Migrar de MEI para ME não é apenas uma obrigação legal quando o faturamento aumenta, mas também uma oportunidade de profissionalizar e expandir o negócio. Apesar de mais custos e responsabilidades, a mudança traz credibilidade, acesso a novos mercados e potencial de crescimento sustentável.
Na Digitale Contabilidade, acompanhamos de perto cada etapa dessa transição, oferecendo orientação estratégica e segurança para que o empreendedor foque no que mais importa: fazer o negócio crescer.

